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Atuação da Signi em comunidade do Espírito Santo é sucesso comprovado por resultados e reconhecimento dos moradores.

linharinho14Humanização, empatia e alinhamento. Foram conceitos como esses, segundo a agente de relacionamento Janaina da Conceição de Paula Santos, que fizeram com que o trabalho da Signi na comunidade quilombola de Linharinho, no Espírito Santo, fosse um sucesso comprovado. A empresa desembarcou na região, que fica a 20km do centro da cidade capixaba de Conceição da Barra, com a missão de executar um projeto de desenvolvimento local com os moradores da localidade, divididos em 10 núcleos familiares. 

Em um primeiro momento, a equipe deparou-se com uma comunidade totalmente descrente de qualquer política intervencionista que partisse de empresas, programas e organizações sociais no geral. “Até então, o que já havia sido tentado por lá não levou em conta as características rurais, tradicionais e culturais de uma comunidade quilombola. Tudo o que se tentou foi a aplicação de formulários e ideias prontas que não se adaptavam àquela realidade. Com o objetivo de desenvolver reflexões e ações que partissem de dentro pra fora, e não o contrário, a Signi propôs um relacionamento humanizado e alinhado com os anseios daquelas pessoas”, destaca Janaina.    

Para isso, foram identificadas as lideranças menos avessas às propostas já iniciadas. Por meio da compreensão delas, as novas metas foram melhor assimiladas pelo restante do grupo. Grandes aliadas nesse desafio foram as moradoras, uma vez que, tradicionalmente, as mulheres representam forte liderança e referência dentro das comunidades quilombolas. Aos poucos, os velhos conflitos, inclusive com grandes organizações próximas da área, foram perdendo espaço para realizações que partiam da própria Linharinho. 

Resultados 

Linharinho6Entre as principais demandas levantadas pela comunidade estavam a implantação de uma caixa postal comunitária, de uma coleta de lixo orgânico e seletiva, oportunidade de cursos livres e de capacitação e valorização da cultura quilombola. 

Foram realizadas reuniões com o Correios e o encaminhamento está sendo finalizado em parceria com o Ministério Público, que possui um programa de implantação de caixas postal em comunidades quilombolas. Foram conseguidos por meio de doação bags para armazenar o lixo e a Secretaria Municipal mapeou os locais para a retirada do lixo juntamente com as lideranças locais. 

Além de uma perspectiva de maior desenvolvimento econômico e social, foi percebida uma aproximação com os representantes do poder público e uma participação efetiva e qualificada nos cursos de Gestão Social (Produção Textual, Empreendedorismo Social, Elaboração de Projetos e Estruturação de Pessoa Jurídica) e Comunicação Comunitária. Foi compreendida assim, após uma abordagem sensível e um diagnóstico não-padronizado, a importância do engajamento local e da dedicação às demandas internas. 

A comunidade também tem se mostrado muito atuante no Fórum de Desenvolvimento Sustentável de Conceição Barra, assim como na construção do projeto próprio “Centro Cultural Santa Barbara”, criado a partir da oficina de Projetos Comunitários. 

Depoimentos 

Linharinho11Lideranças da comunidade quilombola de Linharinho, em Conceição da Barra-ES, atestam o trabalho e comentam as atividades desenvolvidas na região. 

“Através do trabalho que a Signi desenvolveu, tivemos a oportunidade de participar de várias oficinas, que nos proporcionaram aprender a comunicar melhor e a organizar cooperativas, que poderão beneficiar os produtos que fazemos em nossa comunidade quilombola. Também participamos de diversas atividades como a “Feira de Trocas” que, além de dar a oportunidade de trocarmos coisas materiais, ainda possibilitou a troca de experiências e vivências com outras comunidades de Conceição da Barra, São Mateus e Jaguaré. Nossa comunidade de Linharinho ainda conseguiu construir um projeto comunitário para a criação de um Centro Cultural, espaço que nossa comunidade tanto sonhou e que ainda não tinha conseguido terminar. Tudo isso tudo graças as oficinas realizadas pela equipe Signi, que está ajudando nossa comunidade a crescer”, conta Laisnara Marciano. 

“O trabalho que a Signi realizou, somado à formação do Fórum Integrado de Conceição da Barra foi interessante, pois ajudou que cada comunidade estivesse presente no fórum. Isso é muito importante para que as comunidades possam acompanhar os trabalhos, mas também levantar suas necessidades. No caso da comunidade de Linharinho, da qual sou representante, é uma comunidade quilombola que possui vários núcleos familiares. E nós conseguimos eleger representantes que estão sempre presentes em todos núcleos e assim o fórum conta com a participação de toda a comunidade. 

As reuniões do fórum também são excelentes espaços de troca de experiências e conhecimento entre os participantes. Nas oficinas conduzidas pela Signi, como a de empreendedorismo, tivemos a feira de trocas, da qual inclusive pude repassar a ideia para a comunidade onde minha mãe mora e a experiência foi reaproveitada. Havia uma pessoa que estava com alguns sacos de farinha e outra pessoa com alguns quilos de feijão, ambas sem saber o que fazer. Mas com a experiência que tive na oficina, conseguimos realizar uma feira de trocas na comunidade e não ficou somente na farinha e feijão, apareceu também milho, galinha e outros produtos. Outra ideia que estamos querendo colocar em prática é sobre a criação de uma cooperativa. A minha Tia Miúda está querendo juntar alguns jovens da comunidade para criar esta cooperativa, buscando parcerias com outras comunidades quilombolas e, assim, comercializar os produtos da comunidade, aumentar a renda e também divulgar a comunidade quilombola de Linharinho. A Signi insistiu no trabalho com a gente e hoje só vemos os resultados”, Cristina dos Santos. 

Comunidades quilombolas 

Linharinho2Quilombos eram refúgios formados por escravos que fugiam das propriedades onde trabalhavam de maneira forçada. Na região onde se reuniam, passavam a executar seu próprio trabalho rural e mantinham forte tradição cultural como música, dança e manifestações religiosas de origens africanas. Atualmente, os descendentes dessas populações, ainda agrupados em comunidades tradicionais, lutam pelo reconhecimento legal de sua existência e de seus direitos. Linharinho foi a primeira comunidade quilombola reconhecida no estado do Espírito Santo. Localizada na região do Sapê do Norte, onde também ficam os municípios de São Mateus e Conceição da Barra, a área chegou a ser habitada por cerca de 12 mil famílias até o final da década de 1960.

Instituto Ethos