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02/09/2011 – Windhoek: Um abrangente estudo intitulado “Os ganhos econômicos com a caça de focas e com a observação turística de focas na Namíbia” concluiu que estes animais são muito mais lucrativos quando mantidos vivos. Comparando os números mais recentes para ambas as indústrias, o relatório também chegou à conclusão de que a matança anual de focas no país constitui um importante risco para o turismo de observação de focas no local.¹

O relatório foi elaborado pela Economists at Large, uma empresa independente de consultoria econômica, com sede na Austrália, a pedido da Bont voor Dieren (BvD), da Humane Society International (HSI), da Respect for Animals (RFA) e da WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal  -, todas, organizações dedicadas ao bem-estar animal. Os dados no relatório revelam que em 2008, por exemplo, a caça das focas rendeu apenas 300 mil libras esterlinas enquanto, no mesmo período, o turismo de observação levou a ganhos impressionantes de 1,2 milhão de libras esterlinas.²

Ao tomar conhecimento dos resultados do relatório, a cantora e embaixadora da WSPA Leona Lewis foi categórica: “Nenhum preço, por mais alto que fosse, justificaria a matança desses animais indefesos. A Namíbia tem tantas belezas naturais a oferecer aos seus turistas, então por quê permitir essa prática brutal que só vem a manchar a sua reputação para sempre?”, questionou a cantora.

Ao analisarem o abate das focas, eles consideraram os benefícios financeiros atrelados aos dois tipos de atividade comercial. Os economistas também concluíram que grande parte do lucro deste tipo de caça provém do abate das grandes focas macho, pois seus órgãos genitais são vendidos no mercado asiático por aproximadamente 85 libras o quilo, por conta da crença de que têm poderes afrodisíacos. Já os bebês-foca são mortos para a retirada de sua pele, que chega a ser comercializada pelo valor ínfimo de 3,50 libras esterlinas. Afora todos os danos que a caça das focas traz à reputação do país, o abate destes animais pela Namíbia significa também uma ameaça real à continuidade da indústria local de observação de focas – já, sem dúvida, mais lucrativa – uma vez que a matança indiscriminada poderá levar ao fim das populações de focas, como já ocorreu na década de 90.

Contrastando com a caça, a observação turística das focas tem se mostrado um ótimo gerador de dividendos.  Pelo menos 10 por cento dos turistas que visitam a Namíbia – pouco mais de 100 mil em 2008 – pagam pelo prazer de observar as focas em seu habitat natural. Baseando-se na tendência crescente deste tipo de prática, o relatório prevê que, até 2016, chegará a 175 mil o número de turistas que participarão desta atividade, gerando algo em torno de 2 milhões de libras.

A observação das focas também traz benefícios a outros segmentos da sociedade namibiana na medida em que ajuda a incrementar toda a cadeia de serviços do setor turístico do país, como no caso dos hotéis e restaurantes.

De forma absurda, as atividades de observação das focas ocorrem nas mesmas praias onde elas são dizimadas: Cape Cross, Atlas Bay e Wolf Bay. Durante a temporada de caça, de 10 de julho a 15 de novembro, centenas de focas-bebê são espancadas por porretes até a morte entre o raiar do dia e as 8 horas da manhã na reserve de focas Cape Cross (Cabo Cruz). Às 10 horas da manhã do mesmo dia, a praia é então aberta para a observação de focas como concorrida atração turística. Aqueles que se aventuram longe da plataforma de observação, muitas vezes, encontram a areia ainda manchada de sangue.

Há anos o abate das focas vem sendo propositalmente feito longe das vistas dos turistas. Contudo, como tem sido cada vez mais divulgado pela mídia e pela internet, há o risco considerável de que turistas com maior consciência ambiental passem a achar bastante desagradável uma visita a essa colônia de focas condenadas à morte, o que poderia ser desastroso para a economia das empresas de ecoturismo da Namíbia.

“Pode chegar a 85 mil o número de bebês-foca abatidos anualmente na Namíbia, em troca de alguns dólares pela sua pele. Este estudo, porém, ressalta que estes pequenos animais seriam muito mais rentáveis para a economia do país se fossem mantidos vivos. Embora cada vez mais a Namíbia venha sendo identificada pelo seu ecoturismo, creio que os turistas ficariam chocados ao saber que a foca que fotografaram um dia poderá ser brutalmente morta no dia seguinte. Existe, portanto, uma evidente razão de ordem econômica que deveria motivar o governo namibiano a proteger tais animais”, afirma Claire Bass, à frente das campanhas para os oceanos da WSPA Internacional.

Mais informações e acesso ao estudo: http://www.wspa-international.org/latestnews/2011/namibian-seals.aspx

 

Instituto Ethos