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16/11/2011 – Campinas (site Notícia Animal*): Chimpanzés (Pan troglodytes) e seres humanos são mais parecidos do que se imagina. Na verdade, a diferença é de apenas 0,6% do DNA. Sim, somos 99,4%! A semelhança é tanto, que temos os mesmos tipos sanguíneos e a transfusão de sangue entre as duas espécies é possível. Mas por que os tratamos como se fossem objetos? Por que o privamos da liberdade e os usamos para nosso entretenimento? Por que prendê-los sem nunca terem cometido crimes? Por que são acorrentados e obrigados a trabalharem em circos? Talvez porque não conhecemos bem esses símios ou porque ignoramos as semelhanças.

Guga, um chimpanzé, conseguiu há cerca de uma década quebrar este tabu e mostrar que precisamos respeitar esses animais inteligentíssimos. Adotado ainda filhote por Dr. Pedro Ynterian, foi criado como uma criança. Assistia televisão sentado ao sofá, comia doces e escovava os dentes. Conforme Guga ia crescendo, seu comportamento intrigava seu “pai”, que resolveu estudar mais sobre chimpanzés, e descobriu que, além das semelhanças e inteligência, são animais que precisam de cuidados especiais, como atenção, espaço, alimentação adequada e principalmente viver em grupos.

Ynterian começou então uma jornada para salvar todos os chimpanzés do país e criou o Santuário dos Grandes Primatas em Sorocaba, interior de São Paulo. Inicia assim uma verdadeira guerra contra circos, zoológicos e criadores. Grandes recintos foram construídos, veterinários contratados e a busca aos animais mau tratados tive início. Chimpanzés de todo o Brasil foram resgatados, alguns encontrados em péssimas condições e com sérias sequelas.

O chimpanzé é um animal social, muito ativo e com força equivalente a de dez homens, o que é um problema para quem tenta ter um de estimação ou treiná-lo para atividades de entretenimento. Prova disso, segundo Ynterian, é que os circos param de trabalhar com esses símios quando completam em média oito anos e ficam fortes e agressivos demais. Dr. Pedro diz que é um círculo vicioso, já que há acordos para que filhotes nascidos em zôos sejam encaminhados para circos, e essa separação familiar é traumatizante para o animal.

Muitos dos novos habitantes do Santuário chegam com sequelas físicas, como dentes arrancados e até mesmo cegos, mas as mais comuns e difíceis de serem tratadas são as psicológicas. Um chimpanzé afastado da família, vivendo solitário em cativeiro e à exibição do público apresenta sérios distúrbios mentais, como agressividade, desvios de comportamento, alucinações e impotência sexual. Muitos se automutilam e atacam outros macacos.

O santuário oferece, além de um local amplo e repleto de atividades para os animais, cuidados veterinários, tratamento para os traumas e auxílio psicológico. Muitos dos chimpanzés se recuperaram e vivem em bandos, outros ainda estão em tratamento e são medicados com antidepressivos.

O que começou com a adoção do pequeno Guga, que hoje é pai de três e vive em um bando social e de vida agitada, se tornou no maior santuário de chimpanzés do país e conseguiu acabar com a utilização destes animais nos circos. Prova do sucesso é que Dr. Pedro Ynterian é hoje o presidente do Great Apes Project (GAP), organização mundial para o fim do sofrimento dos cinco grandes primatas (chimpanzés, gorilas, orangotangos e bonobos). O Santuário dos Grandes Primatas conta hoje com 53 chimpanzés (além de outros animais como leões e ursos vindos de circos) e inspirou a criação de outros quatro santuários no país. Fazer a diferença é possível, não é fácil, mas basta querer e acreditar. Guga e Dr. Pedro estão aí para mostrar que é possível lutar pelos direitos dos animais. Que sirvam de exemplo.

* http://www.noticiaanimal.com.br/viewpost.php?idpost=121

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