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No retorno do Encontros, na última quinta-feira, 4, o evento foi mais do que especial. O Professor Ruy Carlos Ostermann relembrou um pouco da sua própria história e homenageou o Sala de Redação, programa do qual foi mediador durante 33 anos. Estiveram presentes seis integrande atuais da clássica atração de debates esportivos que está há 43 anos no ar: David Coimbra, Lauro Quadros, Kenny Braga, Paulo Sant”Ana, Cacalo e Wianey Carlet.

Sem cerimônia, antes mesmo dos entrevistados serem chamados ao palco, Paulo Sant”Ana já havia ocupado seu lugar. E fumando. “Gostaria de fazer o primeiro protesto. Não posso ficar sem fumar de três em três minutos e preciso de um cinzeiro”, disparou.

No início do bate-papo, Ruy fez questão de lembrar a importância do programa para a história do jornalismo e do rádio nacional. “Temos aqui integrantes essenciais do Sala de Redação. Integrantes que fizeram dele o mais notável programa do rádio brasileiro pela sua longevidade e pelo seu significado”, abriu o Professor.

Na mesma medida, os convidados fizeram questão de exaltar o entrevistador, pela sua relevância, além dos próprios Encontros, pelo nono ano de sucesso. “O Encontros com o Professor também é uma oportunidade de, nós, que trabalhamos na Avenida Erico Verissimo, esquina com a Ipiranga, virmos ao Centro”, iniciou Lauro Quadros. “Durante a Copa da Alemanha, em 2006, caminhávamos por uma cidade do interior. Passamos por alguns nordestinos, que não eram jornalistas nem nada, e que, ao verem o Ruy, comentaram entre eles: “Aquele é o Professor, grande comentarista esportivo do Sul”. Ao que Ruy nos falou, divertido: “E vocês ainda me tratam com naturalidade”, contou David Coimbra.

O primeiro tema jornalístico a ser abordado foram as revelações do colorado Kenny e do gremista Sant”Ana de que gostariam de terem sido comentaristas de jornada esportiva. “Vocês não são, pois vocês são apaixonados por seus clubes. Não conseguiriam fazer um comentário sem colocar a paixão de lado”, teorizou Wianey, que é um dos chamados “isentos”, aqueles que não revelam para qual time torcem. “No Rio de Janeiro, cronistas famosos e consagrados passaram a declarar seus times. Juca Kfouri é corinthiano. José Lins do Rego era flamenguista doente. Daqueles a ponto de enfrentar a polícia, no tapa”, destacou Kenny.”Quem diz que Neymar não joga nada e compara Taison com Messi não é por excesso de isenção, é cegueira mesmo”, disse Cacalo, brincando com conhecidas colunas publicadas por Wianey.

Uma pergunta frequente que os integrantes do Sala vivem a responder são sobre as discussões inflamadas e algumas brigas antológicas que já foram protagonizadas pelos integrantes do programa. Afinal, os embates são para valer? “Nós brigamos sim, de verdade. Muitas vezes os integrantes brigaram e tiveram dificuldade de seguir a relação. Mas tivemos de superar. Nem casais têm de passar por isso, pois eles não são obrigados a ficar juntos. Nós sim. Somos obrigados a conviver”, analisou Kenny. “O Sala é um lugar de brigas, de discussões, mas também de reconciliações”, acrescentou Sant”Ana.

Após muitas histórias, lembranças, piadas e muitas homenagens a momentos e pessoas que passaram pelo Sala de Redação, é lógico que a conversa acabaria em uma discussão Gre-Nal. Tudo começou após um comentário de Cacalo. “Comecei como vidraça. Quando entrei no Sala eu havia sido dirigente. Eu era o criticado. E lá estavam os grandes comunicadores do Rio Grande do Sul. Não sou jornalista e, quando me convidaram, achava que eu não tinha capacidade de dar conta do desafio”, revelou Cacalo, que foi, na década de noventa, um polêmico e vencedor dirigente do Grêmio.

“E realmente não tinhas. Tu entraste, pois eu participei da reunião. E eu te queria, pois tu tinhas muita popularidade com a torcida gremista”, disparou Sant”Ana.

Cacalo pediu, então, uma manifestação da torcida gremista presente que confirmasse sua popularidade. Após gritos e aplausos, Kenny pediu o grito de revanche dos colorados, que deu inicio a um embate sobre a rivalidade gaúcha no melhor estilo Sala de Redação.

“Em todos os lugares a que vamos é sempre assim. A torcida gremista sempre grita mais”, constatou Cacalo. “Deve ser por causa dos tantos títulos que ganharam nos últimos dez anos”, ironizou Kenny. Então, os dois passaram a revezar argumentos. “O Grêmio é um clube de 110 anos, e não de apenas dez”. “Aí se vê a ignorância histórica. O Inter é o primeiro gaúcho campeão do Brasil. Em 1979 foi tri-campeão, com um feito único e inigualável: de forma invicta”.

“E o primeiro gaúcho campeão do Mundo e da América é o Grêmio. Nós somos os verdadeiros campeões de tudo. Nós temos uma glória que vocês não têm. Somos campeões da Segunda Divisão”, se meteu Sant”Ana. “Essa nós não queremos. E vocês esquecem de citar, entre as façanhas do Grêmio, o Huachipato”, respondeu Kenny. “Eu não queria falar no Mazembe, em respeito aos colorados presentes. Mas ele me obriga”, retornou Cacalo. “É melhor que falem, já que essa é a única glória de vocês há mais de dez anos”, retrucou Kenny. Quem teve de colocar um ponto final na discussão foi Wianey, afirmando que “a paixão deforma”. “Mas a ausência dela envelhece e até mata”, completou Sant”Ana.

Encerrando o papo, Ruy fez questão de lembrar que, durante todo o evento, fez apenas duas perguntas e, depois, praticamente não falou. “Esse é um Sala de Redação inédito, entre os cinco mil que o Ruy participou. É o primeiro onde ele é o que menos fala”, divertiu-se Sant”Ana.”Eu tentei. Mas foram apenas duas perguntas mesmo. Eu contei. E o resto todo foi encaminhado pelos debatedores. Isso é o Sala de Redação”, finalizou.

 

Mais informações no site do projeto Encontros com o Professor

 

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