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Cada vez mais as pessoas passam a ter consciência sobre a sustentabilidade, englobando os seus quatro pilares: ambiental, cultural, econômico e social. A partir deste contexto seria possível analisar o consumo consciente, por exemplo: por que comprar produtos que não são necessários ou optar por um fabricado em locais distantes, se é possível adquirir um semelhante de origem local? Um dos responsáveis por essas escolhas dos consumidores pode ser um designer.

A análise foi feita pela designer Teresa Franquiero, vice-diretora do Programa Doutoral em Design, da Universidade de Aveiro, localizada em Portugal. Segundo ela, ao criar um produto, uma campanha ou um projeto, os designers precisam se apropriar de inovações sociais, assim como se apropriam das tecnológicas.

Somos uma sociedade muito consumista. Não devemos parar de comprar, mas precisamos analisar o que vamos comprar”
Teresa Franquiero, designer

“Tudo que tem um impacto social, que envolve as pessoas, impacta na sustentabilidade e traz benefícios ao planeta. O designer pode ter um papel fundamental nas escolhas sustentáveis de um determinado público, pois ele faz parte da criação de algo que é comercializado, seja uma marca ou um projeto”, explicou.

Durante a palestra de abertura do Segundo Colóquio de Design Social & Sustentabilidade, realizado nos dias 6 e 7 de dezembro, em Salvador, Teresa apresentou alguns projetos de design social em prol da sustentabilidade. Um deles, trata-se de um trabalho com presidiários, na Europa, em que o grupo de designers ficou responsável por promover a interação dos penitenciários de forma que todos mantivessem um clima pacífico e participativo.

A designer contou que, para atingir a meta, os profissionais precisaram realizar entrevistas para saber os gostos dos presidiários e, a partir do reconhecimento de cada um, foi possível desenvolver atividades como pinturas (comercializadas posteriormente), plantações, diminuição nos desperdícios de água e alimentos, que teve como consequência a harmonização do local.

“Esse projeto poderia se encaixar em todo o mundo se interesses políticos e econômicos não se sobrepusessem a todo o resto. Além disso, somos uma sociedade muito consumista. Não devemos parar de comprar, mas precisamos analisar o que vamos comprar”, frisou Teresa.

Papel Social

Uma das responsáveis pela disseminação do modelo de design participativo, Fernanda Martins também esteve presente do evento e destacou a importância do designer ter consciência do seu papel.

“Todo design é social. Ele é o mediador entre valores, sentidos e culturas”, apontou a designer, que ainda comentou sobre as escolhas dos profissionais. “Um designer pode apenas fazer o que a empresa quer, ou ir além dando sugestões sustentáveis, seja sobre um material ou uma estratégia. Essa consciência se faz necessária”.

O design participativo é marcado pela interação entre contratados e contratantes, de forma que a proposta da empresa consiga ser traduzida fielmente durante a construção de sua imagem.

Fonte: EcoDesenvolvimento

Instituto Ethos