Notícias

05/02/2012 – São Paulo (O Estado de SP/Diego Zanchetta): De pontos altos nos limites de Jundiaí com a Serra do Japi, é possível ver o avanço de prédios e condomínios sobre as franjas da mata preservada, em fenômeno semelhante ao que já ocorreu com a ocupação da Serra da Cantareira na zona norte da capital, nos anos 1990. No distrito do Parque Eloy Chaves, ao lado da Rodovia dos Bandeirantes, por exemplo, os primeiros prédios de 10 andares começaram a chegar em 2008 e não param de se multiplicar.

Coruja tratada por ONG na Serra do Japi - Tiago Queiroz/AE
Tiago Queiroz/AE
Coruja tratada por ONG na Serra do Japi

No mesmo bairro, condomínios com bosques de matas nativas administradas pelo Ibama também atraem famílias de paulistanos que querem morar “com vista para a serra”. As placas de apartamentos à venda estão pregadas nos postes de estradas de terra da serra.

Segundo ambientalistas, essa ocupação urbana próxima da serra já provoca uma “diáspora” de animais silvestres. O reflexo mais direto está na Associação Mata Ciliar, ONG que recebe em média 9,7 animais por dia achados em áreas urbanas da região. Até 2007, esse número não passava de 5. “Quem mais sofre com essa construção desenfreada de condomínios são as onças pardas. Já encontramos oito nos últimos três anos”, afirma a veterinária Cristina Harumi Adamia, de 52 anos, coordenadora da ONG.

Araras, lontras, macacos, corujas, gatos selvagens. O dia todo policiais, vizinhos e motoristas que cruzam a Bandeirantes levam animais feridos ou abandonados para a associação, localizada dentro de área de preservação permanente. A coordenadora conta que nos últimos oito meses 20 bugios morreram eletrocutados em fios de alta tensão de condomínios de Eloy Chaves, em Jundiaí. “Antes eles pulavam em galhos. Mas as árvores que usavam foram cortadas para dar lugar aos condomínios. E agora estamos ainda mais assustados com a possibilidade da chegada de hotéis. Isso vai acentuar a tentativa de fuga de animais silvestres.”

A Serra do Japi também conta com nascentes e mananciais que fazem parte da Bacia do Rio Piracicaba, cujo volume hídrico é usado para o abastecimento de 2 milhões de pessoas no interior e na Grande São Paulo.

“A Serra do Japi é o último fragmento de Mata Atlântica antes do início do Cerrado. Por isso, tem espécies de fauna dos dois ecossistemas, algo único no Brasil. Se a borda da serra não for congelada, todos esses animais silvestres vão acabar fugindo para áreas urbanas, correndo risco de ser mortos”, completou.

Veja mais fotos da reportagem em http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,avanco-de-condominios-na-serra-do-japi-afeta-animais,831488,0.htm

Instituto Ethos