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Por Ruy Carlos Ostermann A participação sempre foi escassa, contingente, feita por alguns e ignorada pela maioria. A independência foi um ato isolado, no meio da estrada, mas o imperador estava assim salvando seu reinado. As Diretas Já foi uma decisão política autenticada pelas manifestações de apoio. Quase uma participação. Agora está ocorrendo um fato talvez novo, depende de como vai se desdobrar. Pela oportunidade singular que promove a Copa das Confederações e, no ano que vem, a Copa do Mundo, ambas territorialmente brasileiras e marcadas com boa antecedência, surge nas sedes dos jogos e imediações uma manifestação bem nítida que tem à frente o Movimento Passe Livre. É uma designação genérica que não esgota os motivos do movimento, mas tem uma abrangência que tem servido como referência. A liberdade que se reivindica serve para todos os fins. As faixas e as frases são advertências sobre a importância de se manifestar, mas não são palavras de ordem ou determinações: elas coincidem com a vontade geral de simplesmente participar. Por isso, os atos de vandalismo e violência genérica são exceções e começam a ser repudiados. A aparente ingenuidade da mobilização de milhares de jovens, estudantes em grande número, fica prejudicada por esse desvio de comportamento. Mas quase inevitável: toda mobilização popular atrai pequenos grupos que se valem do entorno para agir com violência. Vamos ter que aprender a reconhecer esse país escondido que se move por essas manifestações.

Instituto Ethos