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Por Roosevelt S. Fernandes, membro do CONSEMA, CERH e Fórum Estadual de Mudanças Climáticas

Este é um assunto um tanto delicado de abordar, pois, geralmente, os profissionais que escrevem sobre temas ambientais asseguram que conhecem o assunto que comentam em suas matérias. E isso, na maioria das vezes, é plenamente verdade.

Entretanto há outras situações onde isso não ocorre e, nestes casos, quando o texto é analisado por um profissional da área ambiental, fica visível que o domínio sobre o tema carece de algum polimento.

É o caso, muito comum, por exemplo, do profissional de mídia fazer a síntese de um artigo escrito por um técnico da área ambiental. Neste caso, para quem domina o tema, a síntese é fácil de ser estruturada, mas um tanto complicada para quem está apenas fazendo uma compilação de informações tendo em conta apenas o processo de síntese.

Outro caso é quando, em matérias sucessivas, o profissional de mídia abordar um mesmo tema, tendo como base textos de diferentes técnicos ambientais. Neste caso, na sua sucessão de artigos, observa-se um contínuo processo de “prós e contras”, às vezes colocando em oposição temas analisados por técnicos de maior e menor competência técnica, o que leva o leitor a desacreditar do tema, dado imaginar que o grau de confiança nas assertivas é de igual responsabilidade técnica. Ou seja, em um artigo o repórter ambiental enfatiza a importância do tema e, em artigo seguinte, faz o processo inverso, sem que faça a devida referência a qualificação dos técnicos que foram os autores dos textos analisados.

Nestes casos o repórter ambiental faz o seu papel de informar, mas esquece que o leitor não tem a capacidade (nem condições) para fazer esta comparação entre a qualificação das fontes da informação e, deste modo, acaba por inferir que aquele assunto é polêmico e, desta forma, fica na expectativa de outro artigo que esclareça a dúvida ou, o que é pior e muito frequente, passa a ignorar o tema, pois consideram que ainda não há consenso científico em relação ao mesmo.

Outro caso é o do repórter que, indicado pela redação, passa a exercer (também) a função de repórter ambiental. Neste caso, apesar da extrema boa vontade do profissional, por ser um tema muito especializado, as abordagens são feitas, muitas das vezes, em função do título das matérias, ou seja, foca sua atenção naquelas com títulos mais agressivos, geralmente não as com maior base científica. O leitor é informado – molda sua posição em relação ao tema – com textos que abordam o assunto por visões extremadas, muitas das vezes não coerentes com a verdade dos fatos.

Por último, este caso em absoluta minoria, o caso dos repórteres ambientais que se consideram – e são – preparados para abordar qualquer tema da área ambiental – fato que nem sempre é verdade – mas que não admitem isso. Esquecem que há assuntos que demandam uma análise mais acurada de modo a assegurar que o leitor não venha a receber uma orientação que, apesar de não ser errada, não aborda a amplitude da verdade disponibilizada no artigo.

No final de toda a cadeia da informação ambiental – via as diferentes formas de mídia – jornais, revistas, TV., rádio, etc. – está o leitor que tem sua mente aberta para a devida conscientização ambiental, ou seja, a moldagem de seu perfil de percepção ambiental e, sobretudo, seus posicionamentos no dia-a-dia (cidadania ambiental).

Por este motivo, há algum tempo, fiz a proposição (ainda amntida) da realização de uma pesquisa de avaliação da percepção ambiental de profissionais da mídia que abordam temas ambientais em seus veículos de divulgação, de modo a conhecer como estes profissionais “percebem” os diferentes aspectos da (não simples) temática ambiental.

A partir dos resultados seria possível propor intervenções em eventuais temas – debates direcionados por técnicos da área ambiental  – que ficassem evidenciados que há problemas de não conformidade de conhecimento entre os profissionais da mídia. Ou seja, um ganho conjunto de quem informa e de quem é informado.

 

Instituto Ethos